O enfisema subcutâneo é uma complicação rara na odontologia, caracterizada pela entrada de ar ou gases nos tecidos moles abaixo da pele ou mucosas.
Geralmente ocorre devido ao uso da alta rotação em procedimentos
como endodontia, restaurações e cirurgias orais, mas também pode ser causado pelo ar da seringa tríplice, espirros fortes ou vômitos pós-operatórios.
Seu diagnóstico é baseado no aparecimento repentino de inchaço hemifacial, edema e eritema. Os principais diagnósticos diferenciais incluem angioedema, hematoma, reações alérgicas e celulite. O exame clínico, aliado a exames de imagem como ultrassonografia e TCFC, permite confirmar a extensão da lesão e determinar a necessidade de monitoramento para evitar a progressão do quadro.
O tratamento do enfisema subcutâneo consiste em repouso e analgesia, pois ela tende a se resolver espontaneamente. Mas fica aqui um alerta dentista: se o ar se espalhar para o pescoço ou tórax pode comprometer a respiração, exigindo atendimento hospitalar imediato. Por isso, um monitoramento cuidadoso é fundamental para evitar complicações mais graves.
Letícia C. L. Teixeira – Radiologista Odontológica
Diretora de Marketing e Produtos da Apex
Referências: Shimizu R, Sukegawa S, Sukegawa Y, Hasegawa K, Ono S, Fujimura A, Yamamoto I, Ibaragi S, Sasaki A, Furuki Y. Subcutaneous Emphysema Related to Dental Treatment: A Case Series. Healthcare (Basel). 2022 Feb 1;10(2):290. doi: 10.3390/healthcare10020290. PMID: 35206904; PMCID: PMC8872011.